De best-seller a candidata: como ‘Comunicar para Prosperar’ guia a atuação de Keliana Fernandes

Um posicionamento sobre clareza, contexto e responsabilidade no debate público.

5 de ago. - 2026 6 min de leitura 0 comentários

Jornalista transformou experiência de mais de três décadas na comunicação em método de desenvolvimento humano e agora tenta levar parte desses conceitos para a política

Antes de decidir disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, Keliana Fernandes já havia colocado no papel uma ideia que hoje procura transportar para sua atuação política: a de que a maneira como as pessoas se comunicam pode interferir diretamente em seus relacionamentos, oportunidades e escolhas.

Jornalista, radialista, apresentadora e escritora, Fernandes é autora de Comunicar para Prosperar: Método CPP – A Arte que Salva Vidas. Lançada em 2024, a obra chegou à lista de mais vendidos da Amazon nas categorias de jornalismo e história e crítica.

O livro nasceu de uma trajetória de mais de três décadas ligada à comunicação e deu forma ao chamado Método CPP, criado pela jornalista a partir da experiência profissional e de estudos relacionados à comunicação, liderança e desenvolvimento humano.

Para Keliana, comunicar não se resume à capacidade de falar bem diante de uma câmera, de um microfone ou de uma plateia.

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“A comunicação não é apenas uma ferramenta profissional. É um instrumento capaz de transformar destinos, reconstruir histórias e gerar impacto positivo na vida das pessoas”, afirma.

O princípio está no centro do método desenvolvido pela jornalista. A proposta ultrapassa técnicas tradicionais de oratória e trabalha aspectos como linguagem corporal, escuta, confiança, relações interpessoais e desenvolvimento pessoal.

A ideia defendida por Keliana é que aquilo que uma pessoa pensa e sente interfere na forma como se comunica e, consequentemente, na maneira como constrói seus relacionamentos e enfrenta diferentes situações da vida.

A origem dessa visão também passa pela história pessoal da comunicadora. Keliana relata ter sofrido violência sexual na infância e, já adulta, vivido um relacionamento marcado pela violência doméstica. Ao longo dos anos, passou a relacionar essas experiências ao trabalho de conscientização sobre violência contra mulheres e crianças.

É nesse ponto que o subtítulo do livro “A Arte que Salva Vidas” encontra uma dimensão que ultrapassa a carreira profissional. Para ela, uma criança que aprende a reconhecer limites e encontra espaço para falar pode conseguir pedir ajuda. Uma mulher que identifica uma situação de violência e sabe onde procurar proteção pode encontrar uma saída. E uma família que aprende a ouvir também pode perceber sinais que antes passariam despercebidos.

“Quando uma mulher é agredida diante dos filhos, não existe uma vítima só. A violência atravessa toda a família”.

Do desenvolvimento humano à política

Agora candidata a deputada federal por Mato Grosso do Sul, Keliana tenta transformar parte da filosofia apresentada no livro em uma agenda de atuação pública.

Proteção das mulheres, defesa da infância e fortalecimento das famílias estão entre as principais bandeiras apresentadas pela candidata.

A diferença está na escala. Se Comunicar para Prosperar parte do indivíduo e de suas relações, a política exige que os problemas sejam enfrentados por meio de legislação, orçamento, fiscalização e políticas públicas.

Na pauta das mulheres, por exemplo, Fernandes defende que o enfrentamento à violência não termine na denúncia ou no afastamento do agressor.

“Não basta mandar a mulher sair de casa. O Estado precisa garantir proteção, autonomia e um caminho seguro para romper o ciclo”, afirma.

A discussão inclui fortalecimento das redes de atendimento, prevenção, acolhimento e autonomia econômica.

Também passa por uma realidade que ganhou novas dimensões com as redes sociais. “A proteção da mulher também precisa existir no celular, nas redes sociais e nos aplicativos. O ambiente digital não pode ser terra sem lei”, diz.

Comunicação como instrumento de prevenção

Na infância, a ligação entre comunicação e proteção aparece de maneira ainda mais direta.

Fernandes defende que crianças tenham instrumentos adequados à idade para reconhecer situações abusivas, estabelecer limites e procurar ajuda.

A candidata afirma que esse tipo de orientação não deve substituir a família, mas contribuir para a rede de proteção.

“A prevenção adequada à idade ensina a criança a reconhecer limites, pedir ajuda e identificar situações abusivas. Isso não substitui a família; fortalece a proteção e precisa ser trabalhado com responsabilidade e transparência”, afirma.

A visão ajuda a explicar por que a comunicação aparece de maneira transversal em sua plataforma.

Não se trata apenas de ensinar pessoas a falar em público, mas de utilizar comunicação e informação como mecanismos de prevenção.

Uma mulher precisa reconhecer diferentes formas de violência. Uma criança precisa saber que pode falar. Professores e profissionais de saúde precisam estar preparados para perceber sinais. E diferentes órgãos públicos precisam trocar informações para que uma denúncia não se perca no caminho.

A família para além do discurso

O conceito de fortalecimento familiar também é tratado pela candidata como uma extensão das ideias desenvolvidas ao longo de sua trajetória.

Fernandes, que se apresenta como cristã e mulher de direita, coloca a família entre os eixos centrais de sua candidatura, mas afirma que a defesa dessa instituição precisa produzir consequências práticas.

“Fortalecer a família não é apenas fazer discurso. É garantir saúde, educação, renda, moradia e proteção para quem cuida de crianças e idosos”, diz.

Entre as propostas que passaram a integrar sua agenda está o fortalecimento da primeira infância e das estruturas de proteção a crianças e adolescentes.

Outra frente é direcionada às famílias de pessoas com deficiência e filhos neuroatípicos, especialmente às mães que abandonam ou reduzem a atividade profissional para assumir integralmente os cuidados.

“O filho tem direitos. A mãe que abriu mão da própria vida profissional para cuidar também precisa ser enxergada”, afirma.

A proposta defendida pela candidatura é discutir uma política nacional de proteção ao cuidador familiar, com medidas relacionadas a proteção previdenciária, apoio psicológico, qualificação profissional e possibilidades de reinserção no mercado de trabalho.

Depois de passar mais de três décadas usando o microfone para falar com ouvintes, telespectadores e seguidores, Keliana Fernandes agora tenta fazer da comunicação não apenas a ferramenta de sua campanha, mas um dos fundamentos de sua proposta de mandato.

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